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Quanto custa vender no iFood: como fazer a conta com os seus números
· 7 min de leitura
Não existe um número único que sirva para todo mundo: o que o marketplace custa para você é a taxa do seu contrato aplicada ao seu faturamento naquele canal, e ela muda por plano, por praça e por período. A conta principal cabe em uma linha — faturamento no canal × taxa do contrato = o que saiu do seu bolso no mês. O resto deste texto é a fórmula: onde achar esses dois números no extrato de repasse, como virar isso em custo por pedido e como projetar o valor para o mês que vem.
Vale para quem já usa aplicativo, para quem está pensando em entrar e para quem quer só entender se o número que paga faz sentido.
Onde eu acho a taxa que eu realmente pago?
Não é na tabela comercial que aparece no site do aplicativo. É no extrato de repasse do mês, aquele relatório que mostra quanto o cliente pagou e quanto caiu na sua conta.
O jeito mais confiável de descobrir sua taxa é calcular a taxa efetiva, que já embute tudo — comissão, plano contratado, participação em promoção, entrega:
Taxa efetiva = (vendas brutas no canal − valor repassado a você) ÷ vendas brutas no canal
Pegue três meses seguidos e faça a conta de cada um. Se o resultado oscilar bastante entre eles, o motivo quase sempre é campanha promocional ou frete subsidiado num mês e não no outro — e isso já é metade do diagnóstico.
Um detalhe que confunde muita gente: a taxa costuma incidir sobre o valor da venda, não sobre o seu lucro. Um prato com margem apertada e um prato com margem boa pagam o mesmo percentual, então quanto mais barato o item, mais a taxa dói.
Como fazer a conta em cinco minutos?
Cinco passos, com o extrato aberto:
- Faturamento do canal no mês. Só o que entrou pelo aplicativo, separado do balcão, do salão e do WhatsApp.
- Taxa efetiva, pela fórmula acima.
- Multiplique. Faturamento × taxa = quanto o canal custou no mês.
- Divida pelo número de pedidos. Dá o custo por pedido, que é o número que você consegue comparar com o ticket médio.
- Projete. Custo por pedido × pedidos que você espera no mês que vem. É esse valor que entra no orçamento, do mesmo jeito que entram aluguel e folha — e é ele que você vai conferir contra o extrato seguinte.
Para ver a sensibilidade, uma tabela ilustrativa (os percentuais são exemplos para a conta rodar, não a taxa de nenhuma empresa — troque pelo número que saiu do seu extrato):
| Faturamento no canal | Taxa 12% | Taxa 18% | Taxa 25% |
|---|---|---|---|
| R$ 10.000 | R$ 1.200 | R$ 1.800 | R$ 2.500 |
| R$ 25.000 | R$ 3.000 | R$ 4.500 | R$ 6.250 |
| R$ 40.000 | R$ 4.800 | R$ 7.200 | R$ 10.000 |
O que essa tabela mostra é simples: seis pontos percentuais de diferença, num faturamento de R$ 40 mil, valem R$ 2.400 por mês. É salário de gente.
E o custo por pedido: uma hamburgueria hipotética com ticket médio de R$ 55 e taxa efetiva de 20% paga R$ 11,00 por pedido. Numa casa que faz 900 pedidos por mês, se metade sair pelo aplicativo, são R$ 4.950 no mês só de taxa. Se o CMV daquele combo for R$ 22, sobra menos do que parece. Se você ainda não sabe quanto custa cada prato, comece por calcular o CMV — sem isso, a discussão de taxa é no escuro.
O que pesa além da comissão?
A taxa é a parte visível. O que aparece depois, quando você olha três meses seguidos:
- Promoção cofinanciada. O desconto que atrai o cliente sai do seu preço, e a comissão continua incidindo sobre a venda. Dois efeitos no mesmo pedido.
- Frete subsidiado. Entrega grátis é ótima para a conversão e alguém paga por ela. Confira no extrato qual parte é sua.
- Preço diferente no aplicativo. Subir o preço no app para absorver a taxa é prática conhecida no mercado, e é uma decisão consciente, com os dois lados na mesa: o ganho é a margem que volta para o lugar; o risco é que o cliente abra os dois cardápios, veja a diferença e reclame. Quem decide isso precisa ler antes o que o contrato permite sobre preço — a regra varia, e é melhor descobrir antes de mexer na tabela.
- A operação duplicada. Tablet do aplicativo de um lado, seu sistema do outro, cardápio cadastrado duas vezes, preço atualizado duas vezes. Ninguém coloca isso na planilha e todo mundo paga em retrabalho no pico.
- O cliente que não é seu. Esse é o custo que não aparece em lugar nenhum. Quem pede pelo app é cliente do app: você não fica com o contato, não avisa da promoção de terça, não sabe que ele sumiu há dois meses. A recompra depende de você aparecer bem posicionado de novo.
E para comparar com o canal próprio?
A comparação não é taxa contra taxa: é custo variável contra custo fixo. No marketplace, o custo acompanha a venda — vendeu o dobro, pagou o dobro. No canal próprio, o custo é uma mensalidade mais o que você já paga de entrega, e ele não cresce na mesma proporção quando o movimento sobe.
Só que essa comparação tem duas partes que não cabem aqui. Uma é quanto custa manter o canal próprio de pé: sistema, entrega e o esforço de trazer o cliente até o seu link — placa no balcão, QR Code na embalagem, redes sociais. A comissão do aplicativo também remunera a vitrine e o tráfego que ele traz, e é justamente isso que o canal próprio não ganha de graça. A outra é quanto do seu faturamento precisa migrar para o custo fixo se pagar. Essas duas contas estão em delivery próprio ou marketplace.
E se o que você quer saber é o que compõe a mensalidade de um sistema de pedidos — o que entra no preço e o que costuma vir cobrado à parte no mercado —, quanto custa um sistema para restaurante trata só disso.
Então vale a pena sair do aplicativo?
Para a maioria das casas, não — e a resposta honesta é que a pergunta está mal colocada. Os dois canais fazem coisas diferentes. O marketplace é vitrine: serve para o cliente que ainda não conhece a sua casa, e cobra por venda. O canal próprio serve para a recompra de quem já conhece, cobra por mês e deixa o contato do cliente com você.
A decisão prática não é entrar ou sair, é mix: manter o marketplace fazendo o que ele faz bem — trazer gente nova — e mover a recompra para o seu canal. Quem pede toda semana não precisa de vitrine, precisa de um link e de um motivo para usá-lo.
Antes de imprimir panfleto para colocar na sacola, leia o que o seu contrato permite. Regras de divulgação variam e é melhor descobrir isso antes da gráfica.
Por onde começar sem quebrar o que já funciona?
Uma sequência que não coloca a operação em risco:
- Meça. Taxa efetiva dos últimos três meses e custo por pedido. Sem isso, o resto é opinião.
- Separe o faturamento por canal. App, WhatsApp, balcão, salão. A soma pode mostrar que balcão e WhatsApp já pesam mais que o aplicativo — ou o contrário. Sem separar, não dá para saber.
- Monte o canal próprio direito. Link, cardápio digital com QR Code, preço certo, zonas de entrega definidas. Cardápio meia-boca não segura cliente.
- Dê um motivo. Cupom que só existe no seu link, brinde na segunda compra, cartão na embalagem. O cliente não muda de canal por lealdade, muda por vantagem.
- Reveja em noventa dias. Refaça a conta e veja quanto migrou de verdade.
E o que o Alinhafood muda nessa conta?
O Alinhafood é a parte do canal próprio: cardápio digital com link e QR Code, pedidos em tempo real no painel, caixa e financeiro. A cobrança é mensalidade fixa, sem comissão e sem percentual sobre as suas vendas — os valores estão na página de planos.
Duas coisas ditas com clareza, porque mudam a sua conta: o Alinhafood não integra com iFood nem com nenhum marketplace — o pedido do aplicativo continua chegando pelo canal do aplicativo. E o Alinhafood não processa pagamento: no Pix, o código é gerado a partir da chave da própria loja e o dinheiro cai direto na conta do restaurante; cartão é na maquininha da casa.
Se quiser rodar a comparação com o seu cardápio real em vez de com números de exemplo, o teste é de 7 dias e não pede cartão — dá para criar a loja, colocar o cardápio no ar e comparar os dois canais já na primeira semana.