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Como calcular a taxa de entrega e desenhar as zonas do seu delivery
· 7 min de leitura
A taxa de entrega sai de uma conta simples: quanto tempo o entregador fica fora da loja para levar aquele pedido e voltar, mais o que a moto gasta no trajeto inteiro. Esse custo você agrupa em zonas por bairro, não em círculos no mapa, porque rio, viaduto, morro e rua sem saída não aparecem no raio. E guarde desde já a distinção que embaralha o caixa de muita gente: o que você cobra do cliente e o que você paga ao entregador são dois números diferentes, e a diferença entre eles é resultado — às vezes negativo.
O que realmente custa uma entrega?
Quase todo mundo calcula a ida. A entrega é ida e volta, e a volta é sempre vazia. Quatro coisas compõem o custo:
- O tempo do entregador na rua. Ida, espera na porta, troco, volta. Esse tempo é pago, seja por hora, por entrega ou por diária.
- O que a moto consome no trajeto inteiro. Combustível é o que se vê; óleo, pneu, corrente e revisão são o resto, e são proporcionais ao quilômetro rodado.
- O pedido que ele não faz enquanto está fora. No pico, esse é o custo mais caro e o mais invisível. Uma viagem longa não custa só combustível: custa duas viagens curtas que ficaram esperando na bancada.
- O retorno vazio. Ninguém paga pela volta, mas ela consome metade do tempo e metade do combustível.
Quem cobra pela distância em linha reta ignora três dos quatro.
Como transformar esse custo em um número por entrega?
Com duas variáveis suas: quanto custa uma hora de entregador e quanto custa um quilômetro rodado.
Exemplo hipotético, não é uma loja real. Uma hamburgueria de bairro em que o entregador custa R$ 15,00 por hora à loja e a moto sai por R$ 0,45 por quilômetro somando combustível e manutenção. Troque pelos seus números; o método é o mesmo.
| Zona | Ida e volta | Tempo total | Custo do tempo | Custo da moto | Custo da entrega |
|---|---|---|---|---|---|
| Bairro da loja | 4 km | 20 min | R$ 5,00 | R$ 1,80 | R$ 6,80 |
| Bairros vizinhos | 9 km | 30 min | R$ 7,50 | R$ 4,05 | R$ 11,55 |
| Bairro distante | 14 km | 40 min | R$ 10,00 | R$ 6,30 | R$ 16,30 |
O bairro distante custa duas vezes e meia o bairro da loja. Uma taxa única de R$ 8,00 para todo mundo significa lucrar na porta ao lado e pagar para entregar do outro lado da cidade — com o cliente perto bancando a diferença sem saber.
O tempo total inclui os minutos parados na porta: portaria, elevador, cliente que desce, troco. Cronometre uma noite de verdade em vez de estimar.
Por que desenhar zonas por bairro e não por raio em quilômetros?
Porque o círculo no mapa mede distância, e o que custa dinheiro é tempo. Os dois só coincidem em cidade plana e sem obstáculo.
O que o raio não enxerga:
- Rio, canal e ponte. Dois pontos a 3 km um do outro podem exigir 9 km de trajeto porque a travessia é lá na frente.
- Viaduto e avenida sem retorno. O endereço aparece do outro lado da pista, e o retorno fica a 2 km.
- Morro e ladeira. Sobem o tempo e o consumo, e a moto carregada sobe devagar.
- Rua sem saída e condomínio com portaria. O entregador chega rápido e perde seis minutos na guarita.
- Semáforo e trânsito de pico. O mesmo trajeto às 15h e às 20h não leva o mesmo tempo.
Tem ainda um problema prático: o raio corta o bairro ao meio. Um lado da rua paga uma taxa, o outro paga outra, o cliente reclama e o atendente não sabe explicar. Bairro é uma unidade que o cliente reconhece, o entregador conhece e ninguém discute.
O desenho, na prática:
- Levante os bairros que você já atende. Pegue os últimos 200 pedidos e conte os endereços por bairro. A lista real costuma ser bem menor do que a imaginada.
- Meça o trajeto de verdade, de moto, no horário de pico, anotando ida e volta.
- Agrupe por faixa de tempo, não de distância: até 20 minutos, de 20 a 30, de 30 a 40.
- Precifique a faixa pelo custo da tabela acima e arredonde para cima, nunca para baixo.
- Revise quando algo mudar — preço do combustível, obra que fechou uma via, entregador novo.
Bairro grande demais pode virar dois nomes ("Centro" e "Centro alto"), desde que o cliente entenda no cadastro do endereço.
Até onde vale a pena entregar?
Até onde a entrega ainda cabe na margem do pedido. Continuando o exemplo hipotético: ticket médio de R$ 55,00 e custo dos insumos em 35%, sobram R$ 35,75 por pedido para pagar tudo o mais. Uma entrega de R$ 16,30 come 46% disso antes de qualquer conta de luz, aluguel ou salário de cozinha. Se você cobra R$ 8,00 de taxa, ainda ficam R$ 8,30 saindo da sua margem em cada pedido daquele bairro.
E há o custo do pico. Nessa mesma hamburgueria, uma sexta entre 19h e 22h tem cerca de 40 pedidos de delivery. Se todos fossem do bairro da loja, seriam 800 minutos de entregador — cerca de 4,4 pessoas na escala. Com dez desses quarenta vindo do bairro distante, o total sobe para 1.000 minutos e a escala pede um entregador a mais na mesma noite. Um quarto dos pedidos, uma pessoa a mais.
Quando a conta não fecha, há três saídas honestas:
- Taxa maior naquela zona, que é o normal e o cliente entende.
- Pedido mínimo maior para as zonas distantes, para que a viagem longa carregue uma margem maior.
- Não atender. Recusar um bairro é uma decisão de negócio, não uma derrota. Melhor do que entregar frio, atrasado e no prejuízo — e, se aquele bairro é volume demais para largar, ele é candidato ao marketplace, discussão que está em delivery próprio ou marketplace.
Frete grátis acima de um valor funciona?
Funciona quando o valor de corte fica acima do seu ticket médio e vale só nas zonas baratas. No exemplo, com ticket de R$ 55,00, um corte em R$ 90,00 no bairro da loja faz o cliente somar mais um item para não pagar a taxa: você troca R$ 6,80 de custo por R$ 35,00 de venda extra, e a maior parte disso é margem.
Corrói quando:
- O corte fica igual ou abaixo do ticket médio. Você deixou de cobrar a taxa em pedidos que aconteceriam de qualquer jeito.
- Vale para todas as zonas. A viagem de R$ 16,30 vira brinde, e é justamente a que menos podia virar.
- Não tem valor mínimo. Aí não é estratégia, é desconto permanente com outro nome.
Embutir a taxa no preço dos pratos parece elegante e tem um efeito colateral: quem retira na loja passa a pagar por uma entrega que não recebeu, e o seu preço de vitrine fica acima do vizinho por um motivo que ninguém vê.
A taxa que eu cobro é a mesma que eu pago ao entregador?
Não, e tratar como se fosse é o que faz o custo da entrega sumir do fechamento. São dois números que vivem em lugares diferentes:
- Taxa recebida do cliente, que entra no pedido e é da loja.
- Valor pago ao entregador, que sai no acerto do turno.
A diferença é o resultado da operação de entrega naquele dia. Na sexta do exemplo, 40 entregas a uma média de R$ 8,00 rendem R$ 320,00 de taxa; se o acerto dos entregadores da noite deu R$ 380,00, a entrega custou R$ 60,00 à loja. Isso não é necessariamente errado — pode ser o preço de manter o cliente no seu canal — mas precisa ser uma decisão, não uma surpresa.
Duas regras que mantêm o número visível: feche o total de taxa recebida e o total pago aos entregadores separados, todo dia; e não jogue a taxa dentro do faturamento de comida, porque ela infla o ticket médio e distorce o custo do prato. O roteiro completo está em como fechar o caixa do restaurante.
Como isso fica no Alinhafood?
No painel você cadastra as zonas por região, com o nome que o cliente reconhece e a taxa de cada uma, e liga ou desliga uma zona sem mexer nas outras. No fechamento do pedido a taxa é calculada sozinha, a partir da zona do endereço — o atendente não decide o frete no olho, e o cliente vê o valor antes de confirmar. Também estão ali o cadastro de entregadores, a área do entregador e o relatório de entregas, que é de onde sai o total pago no acerto para você comparar com o total cobrado.
Vale dizer o que ele não faz: a taxa é a da zona cadastrada, não um cálculo automático por quilômetro, e o painel não desenha polígono sobre o mapa. O pedido mínimo é um valor da loja, não de cada zona. Tudo isso está no plano Básico, e a divisão entre os planos fica na página de planos.
Se quiser testar as suas zonas com os endereços que já chegam hoje, o teste de 7 dias em criar conta não pede cartão.